O Colorado nasceu no dia 29 de junho de 1971, fruto de uma fusão de três tradicionais clubes de Curitiba: o Ferroviário, o Britânia e o Palestra Itália. O Tricolor da Vila, como era chamado adotou as mesmas cores e mascote do Ferroviário. Porém, agora sem mais nenhuma ligação com a Rede de Viação Paraná-Santa Catarina.
O Colorado apesar de ser um dos quatro grandes times de Curitiba e ter sido fruto de um grande campeão, o Ferroviário, não foi um clube glorioso. Aliás, glorioso foi, mas por histórias no mínimo curiosas. Então vamos lá, pois as curiosidades são muitas. Uma delas é o fato de o Colorado ter sido vice campeão regional 4 vezes. Em todas elas perdendo o titulo para o Coritiba – 1974/75/76 e 1979. E que seu único título estadual foi dividido com o Cascavel E.C., num jogo conhecido como o jogo do cai- cai.
Era dia 30 de novembro de 1980, o jogo era disputado no Estádio Durival de Brito, a Vila Capanema. Para ser campeão naquele dia, o Colorado precisaria vencer pelo placar de 5 a 0. Logo aos 5 minutos de jogo, Jorge Nobre abriu o placar pro time Boca Negra. Neste lance, após tentar retardar o reinicio de jogo, Marcos do Cascavel foi expulso pelo arbitro Tito Rodrigues. Aos 23 mais uma vez Jorge Nobre fez e aumentou as chances do time de Curitiba. Mas antes do fim da etapa inicial, mais um jogador da cobra foi expulso. Agora eram 11 contra 9 em campo. O primeiro tempo fechou em Colorado 2 x 0 Cascavel. Faltavam apenas 3 gols pro time curitibano levantar a taça. Foi aí que o Cascavel fez o inesperado. Voltou para a segunda etapa com apenas 7 jogadores. Segundo o médico da equipe cascavelense, dois jogadores, Nelo e Dudu, não poderiam retornar ao gramado devido a contusões. E ainda não tinha acabado. Logo no reinicio de jogo o goleiro Zico simulou uma contusão e não podendo mais substituir, o Cascavel ficou reduzido a 6 homens em campo. Assim, o arbitro Tito Rodrigues se viu na obrigação de encerrar a partida. Naquele dia os dois times deram a volta Olímpica. O Colorado aplaudido pela sua torcida e o Cascavel vaiado pelo papelão feito em campo. Dias depois o STJD julgou o caso e proclamou os dois times campeões de 1980.
Antes disso, Cascavel e Colorado já haviam protagonizado um fato histórico. No primeiro turno do quadrangular final,no jogo realizado no Estádio Ninho da Cobra, em Cascavel, o goleiro Zico do Cascavel repôs a bola com tanta força que esta atravessou todo o campo, e só foi parar quando encontrou as redes do gol do defendido por Joel Mendes, do Colorado. O gol de Zico, goleiro artilheiro do Cascavel, foi o segundo da derrota tricolor para a cobra.
Ainda nos anos 70, mais precisamente em 1978, o Colorado vencia o Atlético por 4 a 0, na baixada, até aos 28 minutos do segundo tempo. Vencia, pois daí em diante Ziquita, atacante reserva do atlético entrou e desandou a marcar gols e empatou o jogo para o Rubro-negro em 4 a 4. Numa entrevista há alguns anos, o hoje técnico Levir Culpi, diz que esse foi um jogo terrivelmente trágico para ele, e que até hoje lembra da frustração sentida naquele dia.
A Vila seria mais uma vez palco de uma história a ser lembrada. Era o ano de 1981, o Colorado enfrentava o Toledo, Até que aos 44 minutos do segundo tempo o atacante toledano , tocou a bola para o gol na saída do goleiro. A bola ia entrando mansamente, até que o fisicultor do Colorado, que passava ao fundo da meta boca-negra, viu a bola indo em direção ao gol e resolveu dar uma de zagueiro. Correu até a bola e rebateu-a para longe, salvando o Colorado de tomar o 2º gol. Segundo as regras do futebol, a partida deveria ser reiniciada com bola ao chão, pois o intruso era, no caso, um corpo estranho. Naquele dia, a partida ficou no 1 a 0 para o Toledo. Mas para surpresa geral, O TJD resolveu anular o jogo e marcar uma nova data pra partida. O motivo dado para a marcação de novo jogo seria a de moralizar o futebol regional, que vinha a anos servindo de mau exemplo no cenário nacional. No novo embate, em um jogo truncado e violento, o placar foi de 0 a 0. O fisicultor do time tricolor pegou 340 dias de suspensão.
Mas nem tudo foi tragédia na vida do Colorado. Bem, ao menos não naquele dia 15 de março de 1981. Naquela data, mais de 32 mil pessoas no Couto Pereira, acompanharam o Boca-Negra aplicar uma sonora goleada de quatro a zero, com três de Jorge Nobre e um de Ditão, no time do Flamengo, que tinha Raul, Nunes, Adílio e Companhia. Pena que uma derrota em casa para o Atlético Mineiro por 3 a 1 tenha complicado a vida do time para a seqüência do torneio.
Mas, a história do Colorado tem mais coisas inexplicáveis que glórias. O Goleiro Zico, aquele mesmo que marcou um gol contra o próprio Colorado e aquele mesmo do jogo do cai-cai, foi o responsável por mais uma história. Anos mais tarde, vestindo a camisa número 1 do tricolor o goleiro propiciou um fato, digamos, ao menos inusitado. Botafogo e Colorado disputavam a partida no Estádio do Maracanã, pelo Campeonato Brasileiro de 1983. O árbitro da partida apita o reinicio do jogo. Eis então que se percebe que o goleiro do Colorado ainda não havia retornado do Vestiário. Na narração da Rede Globo, Galvão Bueno narra a plenos pulmões que o Colorado estava sem goleiro e que ninguém, nem arbitro, nem os jogadores do Botafogo e nem do próprio time curitibano, haviam visto que Zico não havia voltado. E de repente eis que surge correndo como um velocista, direto do vestiário, ainda amarrando a chuteira,o goleiro Zico. O jogo acabou em zero a zero, mas ainda assim Zico teve que contar várias vezes a história do dia em que uma desinteria fez com que ele ficasse tempo demais no vestiário.
Mas não era a ultima história de Zico. Dispensado do Colorado, ele voltou ao Cascavel, e o destino quis colocar Zico e o Colorado mais uma vez frente a frente. Disputando uma decisão de vaga na fase final do regional, os dois times se enfrentaram em Londrina. Naquele jogo o goleirão, cascavelense mais uma vez, se machucou e jogou o restante do jogo contundido. Como o Cascavel já havia feito todas as alterações o goleiro teve que continuar em campo, o que aumentou a certeza de vitória colorada. A Decisão foi para os pênaltis e Zico, que não era qualquer goleiro, mesmo machucado defendeu uma das cobranças do time curitibano e foi o responsável pela cobrança que deu a vitória ao seu time e que eliminou o Colorado naquele ano.
O Colorado formaria em 1984 o Sele-Boca. Naquele ano time investiu pesado na busca da conquista do seu segundo título estadual. Porém, no campo as coisas não foram como esperado e o título daquele ano ficou com o Pinheiros. Infelizmente, o Sele-boca fez um rombo nos cofres do Colorado e a equipe nunca mais figuraria entre os candidatos ao título. Tanto é que em 1989 a equipe foi a penúltima colocada de um regional com 18 times.
A história do Colorado chegaria ao final em 1989, quando o time uniu-se ao Pinheiros para juntos formarem o Paraná Clube. A intenção era unir a tradição e a torcida do colorada com a estrutura do pinheirense e assim, como diz o Hino, formar uma grande potência do sul.



