domingo, 9 de agosto de 2026

Recordar é viver

Recordar é viver. Frase batida, mas que traduz, e bem, a realidade. Quantas vezes nós paramos para analisar tudo o que já foi feito e de repente surge um sorriso no rosto. Foi com esse sorriso no rosto que surgiu a idéia de criar esta sessão, chamada ESCUDINHOS DA PLACAR. Revista Placar que fez parte da minha juventude e a do meu pai. Quando eu era criança, lembro de um baú em que meu pai guardava seus “tesouros”. Coisas que para os outros seriam apenas quinquilharias, para meu pai eram tesouros que lhe traziam boas recordações. Chaveiros, adesivos, livros, gibis e revistas da Placar. Lembro quando meu pai foi aos poucos me dando os chaveiros, os adesivos, os gibis, menos as revistas. Ele dizia: “Essas só te darei quando você ficar mais velho”. Antes de receber as revistas do meu pai eu via as dos meus amigos, tão fanáticos por futebol quanto eu. Lembro quando comprei minha primeira revista, eu tinha 10 anos, havia juntado “muito” dinheiro para comprá-la, mais do já havia juntado até então. Foi então que meu pai achou que eu já era ajuizado o suficiente para cuidar do patrimônio dele. Fiquei vários anos sem comprar, ficava apenas lendo o arquivo criado e guardado com carinho por ele. O acervo ia de 1975 a 1980. Zico, Roberto Dinamite, Falcão, o timaço do Internacional, do Flamengo, a conquista do Corinthians em 1977, até o Goytacaz e o Colorado recebiam atenção naquela época. Voltei a comprar as revistas em 1991. Comprava quando tinha dinheiro, mas nunca deixava de comprar o guia do brasileirão e as edições dos campeões. Com o tempo fui deixando de comprá-la. A tecnologia ajudou nessa minha decisão, afinal, existem dezenas de bons sites sobre futebol. Ainda guardo as coleções do meu pai e a minha com o mesmo cuidado de quando era criança. Às vezes passo na banca para ver a capa, ver as reportagens. Às vezes compro a edição dos campeões, mas apenas se o Paraná ou o Internacional, meus times do coração, estiverem estampados na capa. Como disse no começo, “recordar é viver”. Ainda pego as revistas antigas e dou umas folheadas. De vez em quando uma reportagem me atrai e a leio inteira. Outras vezes leio as manchetes ou apenas vejo as fotos. Quando faço isso me recordo do “tesouro” guardado com cadeado pelo meu pai, tesouro passado de pai para filho e guardado com carinho até hoje. Daí percebo que o conteúdo de um baú pode não ser composto de esmeraldas, jóias, rubis e moedas de ouro, como via nos filmes de piratas, mas ser tão importante, mágico e rico como tal, se nele estiver guardado o que nós gostamos.

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